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Maternidade

Encarando medos

Foto: Maíra Suarez Fotografia / reprodução não autorizada

Quando crianças têm medo do escuro, acendemos a luz pra elas verem que não tem perigo. Quando elas choram no primeiro dia de aula, ficamos um pouquinho na sala até que se sintam seguras. Se elas têm medo de um suposto monstro que mora no armário, abrimos a porta e mostramos que nada tem ali. Fazemos isso porque queremos que elas percam o medo. Medo paralisa e te impede de vivenciar momentos importantes. Por desejar que elas vivam ao máximo suas vidinhas, estendemos nossa mão e dizemos: vem, você tá segura e eu tô contigo.

Com os adultos, não é diferente. Eu tenho mil medos. Medos bobos até: de dormir sozinha, do escuro, de assombração, de tirar sangue e do motorzinho do dentista. Lembro que quando fiquei grávida pela segunda vez, eu tinha que optar entre dois medos: o da cesárea (de viver a frieza que eu vivi, da tremedeira, da anestesia, do bebê saindo sem mim) e o do parto normal (medo desconhecido). Bom, um dos medos já era velho amigo meu. Eu poderia optar por ele novamente porque, talvez, eu soubesse como lidar melhor com aquilo. E eu poderia optar pelo medo do desconhecido, pelo parto que é demonizado nas mídias (parto normal é o terror nas novelas, né? rs), por parir um bebê via vaginal sem nunca nenhuma amiga ter me contado uma experiência como essa. Parece que, em algum momento, perdemos essa coisa das mulheres se ajudarem e falarem abertamente sobre partos.

Optei pelo medo desconhecido. Eu não queria encarar aquele medo antigo cujo caminho eu já conhecia. Não existe como quebrar o ciclo do medo sem a experiência. Vivenciar e experimentar são as únicas oportunidades que temos de sabermos se aquilo foi bom ou não pra nós. Optei porque era o meu tempo. Cada um tem o seu. E, se não tiver, tá tudo bem também. Tem coisa dentro nós que a gente não quer mexer. E se ficar bem guardadinho sem incomodar, beleza. Mas, alguns medos, escolhemos olhar olho no olho. E foi assim com meu segundo parto.

Doeu. Eu tive medo. Eu achei que não fosse conseguir. Pensei que eu pudesse estar prejudicando o bebê mesmo tendo lido muito. Gritei. Chorei. Encarei o medo de frente porque eu quis e pude. Olhei pro medo e me senti forte. Consegui derrotá-lo? Era “só” isso? Sim, era só isso. E o meu medo só pôde ser exterminado porque eu o experimentei e escolhi encará-lo.

Meu ponto não é “cesárea x parto normal”. Ai, que preguiça! rs Meu ponto é: se você quer um parto normal, mas tem medo, procure alguém que segure sua mão e acenda a luz pra você ver que não tem nada na escuridão. Mas, se você achar que ainda não é seu tempo, tudo bem. Guarda o medo numa caixinha e depois você decide o que fazer com ele.

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