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Disciplina Positiva

Cultivar a confiança

Hoje haverá uma feira na escola do pequeno. A escola funciona 12h por dia. Artur fica apenas 4h, horário escolar. Por conta da feira, que acontecerá uma hora e meia depois de sua saída, achamos melhor que ele ficasse direto na escola SÓ HOJE pra nos facilitar.

Expliquei que ele iria tomar banho e jantar com os amigos e que, assim que ele estivesse arrumadinho, mamãe, papai e o irmão estariam lá para a feira. Avisou que não queria jantar na escola, mas a coisa fluiu: tomou banho, se arrumou, almoçou e foi pra escola com o pai.

Empacou no caminho. Mãos no rostinho banhado de lágrimas. Voltou pra casa dizendo que não queria ir, que não queria jantar na escola. Arrancou toda a roupa, os tênis e decretou que não queria mais ir. Às vezes podemos deixar algumas pequenas coisas passarem; outras vezes, não. Se eu abrisse espaço naquele momento, seria a porta de entrada para muitos “não quero ir”.

Calmamente me arrumei. Depois de pronta, peguei ele no colo e informei que ele não poderia faltar hoje porque ele está bem, não está doente e que haverá uma feira muito bacana e os amigos estão contando com a presença dele. No meio de muito choro, agitação e um garotinho muito inquieto, conseguimos recolocar o uniforme.

Peguei no colo de novo, beijei e segui pro elevador com ele deitado no meu ombro chorando e eu dizendo firmemente:

  • Tá tudo bem. Mamãe já entendeu que hoje você não quer jantar na escola e você não vai.
  • Eu vou te pegar no horário de sempre.
  • Eu estou te ouvindo.
  • Eu estou te entendendo.
  • Eu também já me senti assim e sei que é ruim.

Depois de muita conversa e aconchego, as lágrimas cessaram. Sempre no meu colo. Sempre recebendo beijos. Sempre recebendo carinho. E, sim, sempre recebendo o “não” necessário naquele momento. O “não posso deixar você decidir quando ir à escola ou não”. Não hoje. Não nesse momento.

Quando falamos sobre criar sem violência, não é sobre ser mole e deixar que a criança faça tudo o que quer. É sobre ser firme e respeitosa ao mesmo tempo. Quem conhece meus filhos sabe como são educados e gentis. Não venho aqui dar lição de moral. Afinal, o cuspe sempre cai, né? Mas, tomando a situação de hoje como exemplo, a dificuldade seria muito maior se EU perdesse o controle. O controle dele já tinha ido pro beleléu. Ele precisava de alguém firme ao seu lado, mostrando qual era o caminho de maneira amável. E foi isso que fiz.

No final do trajeto, ele já havia parado de chorar. Saímos do carro, ele pegou a mochila e a “Formiguinha”, seu novo brinquedo de sucata, e entramos na escola. Foi andando bem, entrou na sua salinha e logo se enturmou.

Era uma questão simples que ele ainda não tem maturidade pra resolver. Ele queria simplesmente me dizer que não queria ficar na escola pra tomar banho e jantar. Com essa falta de maturidade própria da idade (ele tem só 4 anos e esse é seu primeiro ano escolar!), o que ele tinha de ferramenta disponível para se comunicar era o choro e a “pirraça”. Cabia a mim ter a maturidade para acalmá-lo sem tapas e gritos.

Resolvemos.

Eu o entendi e ele ganhou minha confiança.

Sim, filho, estarei aí no mesmo horário de sempre.

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