Como lidar com medos infantis

Saindo dos 3 anos e daqui a pouco entrando nos 4, fase em que se mistura realidade e fantasia. Os medos apertaram aqui.
 
Dormir sozinho não quer.
Ir ao banheiro sozinho não quer.
Ir pegar um livro na sala sozinho não quer.
 
A demanda aumentou. Quase sufoca!
 
“Fica comigo!”
“Vem comigo!”
“Dorme comigo!”
 
Esse grude é cansativo, sufocante e também entendiante. É preciso estar perto 100% do tempo. Ele, que já tinha superado várias fases como conseguir dormir no próprio quarto, voltou a nos requisitar mais do que a nossa paciência aguenta.
 
Mas, não tem jeito. É aceitar que é mais uma fase. Até tentei dizer que monstros não existem. Mostrei os cômodos vazios. Expliquei que os barulhos vêm de outros apartamentos. Nadica de nada deu jeito. É uma fase que eles ainda não conseguem separar fantasia da realidade. Dizer que monstro não existe tem quase nenhum efeito.
 
Joguei a toalha. Aceitei. Aceitei que ele tá precisando de mim, que seu medo é real e que o que ele precisa é se sentir seguro. Se ele acredita em monstro, eu fecho a porta do quarto e abraço pra que o medo diminua. Ter medo e não ser protegido não é nada bom. Então, eu protejo, defendo, amparo. Faço do meu abraço seu abrigo – é o máximo que posso fazer. E sigo acreditando que é só mais uma fase que daqui a pouco vai passar. Tudo passa. É dar tempo ao tempo. Menosprezar e ridicularizar seu medo não estão nos planos.
 
Se eu não consigo acabar com todos os monstros que habitam sua cabecinha, posso, pelo menos, ser sua aliada.