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Maternidade

Como criar filhos: olhando em seus olhos

Este texto não é nenhuma tentativa de discorrer sobre teorias maternas. Este texto vem daqui de dentro, do coração e nasceu quando eu percebi que muita gente está presa a tantas teorias que não consegue de fato vivenciar a maternidade de forma simples e com liberdade. A maternidade não é uma prisão. Pelo contrário! Ela liberta e faz fluir os melhores sentimentos que há em nós. A maternidade cura, fortalece e nos faz amadurecer e amadurecer significa examinar com olhos críticos tudo o que lemos e ouvimos. Vou contar alguns causos que talvez ajudem a esclarecer este texto.
Outro dia uma mãe estava morrendo de culpa porque, durante as refeições da criança, ela dava colheradas de comida amassada. Essa mãe segue o BLW, um método novo e maravilhoso que permite que a criança descubra sozinha cada alimento e toque na comida, coma alimentos inteiros e, assim, aprenda o que significa se alimentar. Fiquei tão preocupada com aquela mãe presa a um método e sem liberdade nenhuma… Eu defendo a maternidade consciente e exatamente por acreditar nisso que acho que a pessoa deve tomar suas decisões baseada no que sente e respeitando, claro, o bem estar da criança. Mas, veja, a mãe estava preocupada em dar uma colher com uma comida saudável só porque estava amassada! Não era nenhum lanche de uma rede de fast-food. Era uma comidinha deliciosa, feita em casa, com temperinhos caseiros. Foi aí, acho, que acendeu uma luzinha aqui. É claro que queremos o melhor, o mais saudável, o que há de novo, mas não podemos deixar essas teorias arrancarem de nós o que há de mais primitivo: o instinto. Se ela acha que pra suprir as necessidades nutricionais da filha ela precisa oferecer alguma comida na colher, que assim seja! Precisamos simplificar as coisas ao invés de complicar mais. A maternidade já é tão solitária pra tantas mulheres que eu me pergunto por que complicar ainda mais.
Uma outra história é de uma mãe que, como eu, usa fraldas de pano na criança. Ela ia passar as férias com a família na fazenda de uns familiares. Todo mundo foi contra o uso de fraldas de pano no início alegando que não daria certo. Ela conseguiu se adaptar às fraldas e usa as fraldinhas no filho diariamente com sucesso. O problema é que ela nunca tinha viajado até então. O que estava corroendo aquela mãe por dentro era o fato de ter que usar fralda descartável na frente desses familiares durante a viagem como se ela tivesse que provar alguma coisa pra alguém. Eu sei que é super possível viajar e usar fraldas de pano, mas EU pessoalmente não quero, não tô a fim e nem com disposição. Foi o que eu disse a ela, que quando eu viajo, não uso fraldas de pano e tá tudo bem. Nós não precisamos provar nada pra ninguém. A gente precisa dar conta daquilo que é bom pros nossos filhos e nos traz tranquilidade. Maternar é uma luta insana diária. Não precisamos tornar as coisas mais difíceis sempre. 
Essa última história é de uma mãe com dúvida sobre cama compartilhada. Sua filha, desde que chegou em casa, dorme com ela em sua cama, o que facilitou demais a amamentação e a ajudou a descansar um pouco mais já que não precisava levantar-se e ir até o berço várias vezes à noite. Só que agora a menina dorme a noite toda e já está grandona. A mãe dorme numa posição ruim por conta da cama pequena e acorda um bagaço. Um dia essa mãe botou a menina no berço e a pequena dormiu a noite toda tranquilamente. A mãe, na manhã seguinte, acordou ótima, sem dor nas costas, mas cheia de culpa. Será que ela tinha abandonado a filha? Será que a menina teria problemas emocionais mais tarde porque dormia longe da mãe? Eram suas dúvidas! Respondi a ela que sou a favor da cama compartilhada tanto que faço até hoje porque Artur acorda muito pra mamar e eu não tenho condições de levantar tanto na madrugada, mas se ele dormisse a noite toda muito bem em seu berço, eu não teria dúvida em colocá-lo lá! O berço ficaria no meu quarto pra qualquer emergência, mas certamente eu dormiria belíssima na minha cama que ficaria espaçosa. Vejam! A menina estava bem, provavelmente dormiu até melhor por conta do espaço, a mãe acordou ótima e as duas estavam felizes, mas o problema era a gaiola, a prisão das teorias. A gente precisa saber a hora de voar, se soltar, de desapegar. Há momentos que se deixarmos a linha solta, a pipa voa mais alto, com mais leveza, num voo distante e libertador. Precisamos soltar as amarras das teorias. 
Pra finalizar, eu quero deixar claro que defendo o parto humanizado, que uso fraldas de pano, que sou a favor da criação com apego, que considero a amamentação fundamental, que estudo sobre maternidade, sim, mas que eu vivo verdadeiramente e olho nos olhos dos meus filhos pra enxergar suas reais necessidades todos os dias. Isso significa que, o dia que meu filho estava doente sem comer nada, eu fiz uma sopinha deliciosa e bati no liquidificador pra descer melhor. Isso não é regra aqui e eu sei que, pro bem dele, não devo fazer isso todo dia e não faço, mas quando precisamos, quando eu senti que precisava fazer isso, fiz. Fiz seguindo meu coração. E foi o melhor pra ele naquele momento. Melhor pra ele e libertador pra mim. Vamos ler as teorias? Claro. Vamos ler tantos blogs maravilhosos que temos por aí sobre maternidade? Com certeza. Vamos tentar fazer o melhor sempre? Óbvio. Mas, vamos também olhar pros nossos filhos de verdade e vamos ler tudo de forma crítica. Que a gente não deixe nenhuma teoria nos cegar. Porque, se aceitarmos tudo o que lemos, deixamos de praticar a maternidade consciente que tanto defendemos e passamos a seguir a boiada que tanto criticamos.
2 comments
  1. Achei tão lindo esse texto. Hoje me peguei pensando que ando uma mãe de merda porque estou tão cansada que minha filha não tem levado suco natural para escola. Apenas suco integral de uva, alternado com laranja para chupar (ao invés de suco). Só que o cansaço é tanto que não me culpei, pensei que é uma fase. Falta pouco! hahahahaha
    Maternidade parece ser sinônimo de culpa. Não tem um dia sequer que a gente não tente se culpar por algo. Mas pensando melhor, acho que isso é culpa dos hormônios femininos. E vamos que vamos!

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