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Pra afirmar sua felicidade, você não precisa desdenhar do outro

Pari (depois de uma cesárea desnecessária). Amamentei exclusivamente até 6 meses. Depois disso, alimentação saudável e nada de Danoninho ou doces (porque, pra mim, ligar infância ao consumo de açúcar é, digamos, ignorância – já fui ignorante). Não posso maternar em tempo integral, infelizmente, mas diminuí muito minhas horas de trabalho pra viver com meus filhos. Não me conformo com um beijinho de boa noite. Artur usa fralda de pano. É a coisa mais linda aquele bumbum a cada momento com uma estampa diferente e me sinto muito bem não jogando mais lixo no planeta. Dia desses levei os dois comigo ao salão e as pessoas acharam lindo ver aquele bebezinho saboreando amoras devidamente colocadas numa vasilha e levadas pra lá com muito carinho. Meus meninos são extremamente felizes. É possível sim viver de uma forma diferente da que fui criada e ser feliz. Não tenho garantias pro futuro (quem tem?), mas faço minha parte hoje, agora.
Por que eu estou dizendo isso tudo? Pra mostrar que eu estou segura das minhas escolhas e exatamente por isso eu não preciso desdenhar do outro. Eu não preciso apontar a mãe que está dando danoninho pro bebê de quatro meses ou pro pai que deixa o bebê na cadeirinha que treme enquanto lê o Twitter. Mas, vejam bem, até chegar aqui, sem precisar ironizar as escolhas alheias pra afirmar (pra quem?) as minhas, foi um longo processo. Eu finalmente aprendi que não adianta apontar os erros dos outros. É muito mais interessante encantar que agredir. Não ganhamos nada com violência. É melhor eu falar o que faço de bom pra, de repente, informar alguém que precise dessa informação que olhar o outro com um ar arrogante e superior. 
Sim, eu aprendi a respeitar o outro. Aprendi olhando pra trás. Olhando pra Dany-mãe aos 20 anos de idade. Aquela mãe que não sabia de quase nada e achava que estava fazendo o melhor pro filho dando Mucilón, Danoninho e suco de caixinha. Olhando pra Dany de 11 anos atrás, eu consigo entender muitas outras mulheres hoje. 
No entanto, entender o outro não significa concordar. Porque o que é errado é errado e ponto. Não dá pra ignorar, por exemplo, que o risco de morte materna durante a cesariana é 3 vezes maior que no parto normal. Não dá pra ignorar que a OMS recomenda a introdução alimentar a partir de 6 meses. Não dá pra ignorar o fato de que açúcar não é recomendado pra criança antes de 2 anos de idade. Dessa forma, eu parti pra outro nível: informar. Porque informação é o que te faz mudar pra melhor. Hostilizar gera raiva. Não é essa a intenção.
Há um outro fato que me incomoda: as pessoas acharem que a maternagem consciente significa criar filhos numa bolha. Não é. Não mesmo. Criar filhos longe de propagandas abusivas, por exemplo, é soltar as correntes do consumismo. É não precisar trabalhar mais que o necessário pra dar conta do “ter”. Consumo consciente, alimentação saudável e uma forma mais natural de encarar o mundo é soltar as amarras. É dizer não pra escravidão do consumo. Mostrar aos filhos que comida rápida é uma maçã, que bom mesmo é ter os pais por perto (e não tão longe pra trabalhar tanto e poder comprar aquela boneca famosa) e que rolar na areia da praia é melhor que shopping é uma forma de dizer não a esse mundo maluco, onde zumbis caminham em frente a vitrines babando e se escravizando pra comprar cada vez mais. Não precisamos de nada disso. Precisamos só de roupas confortáveis, comida feita em casa e chamego dos que amamos. 
Quando eu vejo pessoas jovens se recusando a se informar, a enxergar o novo com olhos curiosos ou desdenhando de pesquisas atuais e importantes, eu me entristeço. Fico triste porque a pessoa tem preguiça de questionar o status quo e isso é, sim, triste. Porém, logo me alegro ao receber mensagens inbox me dizendo “Eu pari!”, “Quero usar fralda de pano pra gerar menos lixo.” ou “Eu e meu filhos estamos brincando muito mais depois que desligamos a TV.”. Pra finalizar, o que desejo pro mundo é olhar curioso, mente aberta e sorriso largo no rosto.

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