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Encerrando um ciclo (pela metade)

A vida é assim mesmo. Ciclos vêm, ciclos vão. E chegou o momento de eu assumir pra mim mesma que acabou. Não dá mais. É, Mestrado, tá acabado. Assim, pela metade. Dói em mim mais do que se eu não tivesse passado. Uma pesquisa fica de lado. Um projeto engavetado. Let it go. 
Tentei tudo o que pude, mas não consigo. As noites em claro acabam com os meus neurônios. Não consigo lembrar de nada, não consigo me concentrar e muito menos fazer leituras complexas e colocar em prática experimentos de Psicolinguística. Mal começo a ler um parágrafo, Artur acorda. Não dá.

O mestrado não se encaixa mais na minha vida. Artur não dorme tempo suficiente durante o dia pra eu conseguir ler e escrever. À noite, quando ele dorme (ele não dorme se eu não estiver perto, batendo na bundinha, abraçando, fazendo cafuné, etc., all night long), eu tenho que estar perto dele. Além disso, às 20h, não sou mais ninguém! Tô exausta e tenho que estar pronta para a noite. Há 6 meses não durmo mais de 3h seguidas (#mimimi). Então, amigos, fica impossível.

Sem falar na dificuldade que é deixar Artur com alguém pra eu estudar. É mais fácil deixá-lo com alguém pra eu sair pra trabalhar. Aí, sim, as pessoas realmente acreditam que você está na labuta. Mas, ficar na frente do computador não é considerado trabalho nem estudo. Sou sempre interrompida e isso dificulta a minha concentração, que já não é boa. E eu não preciso de quinze minutos, meia hora em frente à tela. Preciso de quatro, cinco horas ou mais pra fazer a coisa andar. Aí, já viu, né? 

Não acho justo viver de trabalho atrasado e leituras incompletas. Eu posso mais que isso, mas não agora. No momento, eu só consigo gu-gu-dá-dá e olhe lá! Eu ando sofrendo, sabe? Tenho perdido a paciência demais ao ouvir meu bebê chorar e ele não tem culpa. Ele merece a minha atenção, a minha compreensão. 
Eu sabia que ia ser difícil, mas não imaginei o tanto. E nessa de tentar dar conta, de fazer tudo mais ou menos, de viver correndo atrás do prejuízo, eu tô acabando com a minha saúde mental. Eu preciso ficar bem pra conseguir criar dois filhos, pra conseguir acordar à noite a cada duas horas (ou menos). Não dá pra viver angustiada, pensando no que eu poderia estar fazendo, lendo, escrevendo. Quero sentar na minha varanda com Artur no colo e conseguir ficar em paz. Isso não tem acontecido com frequência. Este é meu último mês de licença maternidade. Preciso dar valor e aproveitar. 
Infelizmente, a vida é assim: feita de escolhas. Cada escolha, uma renúncia. Não dá pra querer tudo. E, nesse momento, eu escolho ser mãe. Só mãe. Por mim, pelos meus filhos e pela minha vida acadêmica, que não me merece nessas condições. 
Um dia, quem sabe, estarei de volta. No ano que vem, na próxima década, na próxima vida… Sei lá! O melhor que faço, no momento, é deixar passar, ir embora, desapegar. 

Comentários

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5 comments
  1. Tatiane Garcia

    Li a notícia com lágrimas nos olhos, Dany. Nem comentei ontem pq precisava digerir! Doeu como se fosse comigo! Acho q já comentei com vc o buraco q ficou na minha vida qdo forçadamente tive q abrir mão da vida profissional…por isso me doi por vc! Mas vc teve motivos bons e de sobra pra tal decisão! Levou até onde deu, e é mto capaz de voltar e terminar de forma gloriosa o seu mestrado! Vc é minha musa! RS! Tão guerreira e batalhadora como eu queria ser! RS! E é vero viu? Nem é pra te animar!
    Força na peruca! Aproveita pra curtir mto sua balinha de coco! E logo logo quero te ver com a cara nos livros!
    Um beijo e um abraço apertado! (q bom seria se fôssemos vizinhas…rs)

  2. por Carol Marques

    Só sei que valerá a pena. Você foi até onde deu.
    Vai valer a pena.

    Deixei meu emprego bonitinho, com plano de carreira, etc, para ser mãe em tempo integral. Fiquei dividida, mas, como disse, valerá a pena.

    Um dia você volta pro mestrado 🙂
    Bjos!

  3. Demorei para vir comentar porque eu queria ler com calma. Só uma mãe de verdade tem um gesto como o seu, abandonar um projeto pela metade para se dedicar por inteiro ao filho. E sabe o que eu acho? Você é bem nova, tem bastante tempo para reunir as forças e tentar o mestrado novamente. E apesar do processo não ser bolinho, você irá conseguir. Beijocas!

  4. Cintia Velasco

    Dany, também deixei um mestrado pelo caminho (por outros motivos) e sei como você se sente. É meio frustrante, pois passar num processo seletivo desses é motivo de muito, muito orgulho! Tudo que não queremos é desistir. Acho que todo mestrando tem uma espécie de "questão de honra" de terminar o curso e no prazo! Mas você é boa o bastante pra passar novamente (eu, que não sou nenhuma CDF, consegui passar de novo, imagine você que é aluna nota 10! hehe) e dar continuidade a sua pesquisa. Ela é necessária pra academia (se não fosse, você não estaria lá), ela vai ser leitura pra outros pós-graduandos que virão. Cuide de sua família linda e volte assim que puder! Conte com sua amiga aqui! Bjs!

  5. Bia Mello

    Te entendo. Muito. As vezes as pessoas nao dão valor para aquelas que optam por ser "só mãe", seja por um período ou por uma opção (e oportunidade) de vida. Te entendo e sei tambem que ha tempo para todas as coisas. A grande verdade é que vc terá muito tempo pra fazer ainda este Mestrado (ou não). Mas esse tempo precioso agora com teu pequeno não voltará mais. E concordo que a gente tenta ser super mulher, tentamos fazer e acontecer, tudo ao mesmo tempo agora! Mas há tempo…e o melhor é aproveita-lo assim, intensamente. Fazer por fazer, se desgastando realmente não vale a pena. Tenho certeza que foi a decisão mais acertada, cada um sabe de si. Super beijo, admiro vc pela coragem!

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