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Amamentação: relato

Eu estava decidida a amamentar antes de Artur nascer. Assim que nasceu, veio direto pro meu colo pra mamar. Mamou lindamente. Sabia o que estava fazendo o bichinho! Em quarto conjunto, tínhamos tudo pra acertar. Só que… Ele começou a chorar desesperadamente. Eu sabia que isso poderia acontecer. Meu bebê mal tinha saído do quentinho do útero. Tinha que lidar com luz, roupas, barulho, temperatura oscilando. Eu tinha colostro. Era o que ele precisava. Isso tudo, claro, eu sabia na teoria, mas na prática o coração aperta e por mais que todas as leituras tenham te dito que o bebê não precisa de complemento, você dá uma balançada. Não por você, mas por medo de deixar o bebê com fome.

Viemos pra casa e eu pedi ao marido pra comprar uma lata de complemento. Eu não pretendia usá-la, mas ela precisava estar lá. Vai que… Percebem a insegurança? Seguimos a amamentação, mas a lata estava lá no armário, como uma muleta. Umas três vezes eu pedi ao marido pra preparar uma madeira (pelo cansaço e pela dor das rachaduras) e, quando ele voltava, lá estava Artur plugado no peito.

Artur não largava o peito. Era dia e noite. Noite e dia. Uma doação que me deixava com olheiras e um cansaço sem fim, mas me fazia sentir a maior alegria do mundo. Ter 100% do alimento de outro ser humano no seu corpo é muita responsabilidade! E dentro de mim era uma mistura de felicidade, cansaço e poder. Sim, eu podia alimentar meu filho. De uma forma geral, as mulheres podem. E ao contrário do que a indústria sacana me dizia, eu podia fornecer o alimento do meu bebê.

Artur era guloso. Mamava sem parar. Lembro de dias em que fiquei sentada no sofá o dia inteiro. Mal podia levantar pra fazer xixi. Nesses dias, a tristeza chegava bem perto. Tristeza porque eu tinha outro filho que também precisava de mim e eu não estava conseguindo dar a ele a devida atenção. Tristeza porque eu não conseguia fechar os trabalhos do mestrado. Tristeza porque eu não conseguia ser eu. Em muitos momentos, eu era só dois peitos. E isso mexe com a gente. Puerpério louco não dá trégua. É preciso preparar-se pra isso.

Os seios enchiam demais. Ainda estávamos em fase de adaptação. O corpo ainda não sabia o quanto de leite produzir. Produzia demais. Seios cheios. Vazando. Rachados. Sangue. Choro. Febre. Noites que me devoravam. No meio disso tudo, um bebê indefeso que precisava se alimentar. Bebê lindo. Bochechudo. Crescendo. Engordando. Saudável. Toda a dor parecia pequena perto daqueles olhinhos que me encaravam enquanto mamava, perto daquela boquinha de peixinho que sugava alimento e amor, perto do leite escorrendo no cantinho da boca quando ele adormecia. Tudo valia a pena.

Eu jamais teria conseguido sozinha. Marido, mãe e filho mais velho: a tríade que foi meu apoio. Eles foram os braços que me carregaram. Era comida quentinha da minha mãe. Era o copo de água trazido sempre pelo marido na hora certa. Era o carinho e a compreensão de Caio quando eu me sentia perdida. Minha rede de apoio foi essa. Necessária e eficiente. Eu e Artur só podemos agradecer com muito, muito amor. Gratidão eterna.

Pra amenizar o cansaço que tomava conta de mim, fizemos cama compartilhada desde sempre . Eu não iria conseguir levantar mil vezes numa noite pra atender o bebê no berço. Ele precisava estar perto de mim, ao meu lado pra eu não pirar ou pifar. Eu não via outra maneira a não ser essa pra manter a minha sanidade. Assim, ficávamos colados, grudados a noite toda. Tem um momento em que você não sabe o limite do seu corpo e o do bebê. Parece uma coisa só. É muito doido.

E assim seguimos por seis meses, que passaram voando. Seis meses de leite materno. Seis meses de amor. Seis meses de luta. Seis meses de cansaço. Seis meses de saúde. Os seis meses que mudaram pra sempre a história do meu filho e a minha. É difícil no início. Parece impossível. Dói. Cansa. Estressa. Mas passa rápido. E a gente sente saudade daquela miudeza de bebê, da mãozinha em cima do mamá, dos olhinhos de ternura olhando pra gente, do corpinho colado no nosso. E assim termino o texto, com uma saudade gigantesca daquele meu recém-nascido e os olhos marejados de emoção.

Foto de Maíra Suarez

   

Comentários

comments

8 comments
  1. Dani Brito

    Fiquei tão feliz que vc conseguiu, que vc teve todo apoio pra conseguir. Isso faz toda a diferença. =)

    Sabe que nunca consegui falar sobre a amamentação? Nunca. Não consigo destravar o que me impede. Quem sabe um dia…

    Beijo

  2. Nine

    Ai, delícia, delícia de relato! Senti quase tudo isso nas duas vezes em que amamentei. Da primeira estava insegura e cansada e queria voltar a ser "eu" (doce ilusão) e na segunda estava ciente de tudo, mas o cansaço e a vontade de tb estar com a mais velha mexeram comigo. Deu tudo certo e com o caçula já completamos 2 anos de amamentação! Foto linda de vcs! Beijos!

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