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O que você vai ser quando crescer?

Acharam que fosse “publi” do OMO, né? Rá! Não é. O fato é que eu vi muitos posts sobre o que ser quando crescer e me peguei pensando no assunto. Aliás, este post poderia ter saído há mais tempo, mas não tive coragem de escrevê-lo. 
Quando Caio ainda não existia, eu achava que meu filho poderia ser o que fosse quando crescesse que ficaria tudo bem. E, na realidade, o que ele escolher, tudo bem. No entanto, tenho algumas considerações (duras) a fazer.
Não desejo que ele seja professor. Vejam bem: não desejar é diferente de proibir, coagir ou forçar. Vamos aos porquês.
Este ano faço 13 anos de profissão. Amo o que faço, não sei e não quero fazer outra coisa. Quando estou em sala de aula, morro de felicidade vendo os olhinhos dos meus alunos interessados brilharem. Adoro preparar atividades e pensar em como vou ensinar tal assunto. No final do ano, meus olhos enchem de lágrimas quando vejo minha turminha de pimpolhos se apresentando. Defendo minha profissão com unhas e dentes e fico danada da vida quando desmerecem o nosso trabalho. Enfim, parece que eu nasci pra isso e não troco por nada. 
Acontece que essa profissão não é fácil, não é bem remunerada e quem é professor tem que passar por situações que eu gostaria que meu filho não passasse. Todo mundo quer o melhor pro seu filho, não é? E, caros leitores, ser professor pode não ser a melhor escolha. 
Alguns professores podem argumentar que ganham bem e exibirem seus contracheques “pomposos” por aí. E a pergunta que não quer calar: de que horas até que horas esse professor trabalha pra conseguir esse salário marromeno? Isso sem esquecer que professor trabalha antes (preparando aula), durante (dando aula) e depois (corrigindo). A carga horária é algo desumano. Então, sinceramente, não quero isso pro meu filho.
É claro que há lugares (raros) que pagam melhor e respeitam o professor. É claro que você pode fazer Mestrado e Doutorado e tentar um concurso pra dar aula numa Universidade pública. Mas vamos ser realistas? Quantos profissionais conseguem cursar um Mestrado/Doutorado com um salário tão baixo, trabalhando em mil lugares e cansado pra caramba? Quantos? Posso contar nos dedos.
Se meu filho resolver ser professor, não posso negar que vou sentir orgulho – acho a minha profissão linda. Porém, vou sentir uma pontinha de pena porque eu sei exatamente pelo que ele vai ter que passar.

Antes que ele escolha, eu vou sentar com ele, pegar todas as contas da casa, o meu contracheque, colocar tudo em cima da mesa e fazer as contas com ele. Dinheiro não é tudo, o que importa é ser feliz e blablabla, mas experimenta trabalhar de 7 da manhã às 10 da noite e ganhar a hora/aula de um professor pra você ver o que é bom pra tosse. Além disso, vou calcular mais ou menos o quanto eu trabalho fora de sala de aula, pois isso também conta como hora de trabalho.

Se depois disso tudo, ele quiser entrar nessa, que tenha forças pra encarar essa profissão, que não se iluda, que tenha paciência, que esteja disposto a não passar o resto da vida reclamando da sua escolha, que estude sempre e que faça bem feito o seu trabalho. Uma coisa que eu não admito é o professor ter escolhido fazer o seu trabalho e depois viver reclamando e fazendo o seu trabalho mal feito.
Post doído. 

Comentários

comments

6 comments
  1. Neanderthal

    Por mais que eu reconheça que você tem razão quanto à falta de reconhecimento e os baixos salários da profissão, se meu filho escolher ser professor, sentirei um imenso orgulho dele!
    Beijos

  2. Lulu

    È complicado a vida de professor. Antigamente quem escolhia o magistério eram pessoas que amavam a arte do ensinar, hoje em dia muitos optam por esse caminho sem a mínima vocação. Sou filha de professora de português, sei como é complicado.
    Big Beijos e bom carnaval.

  3. Raquel Ornelas

    Não sou muito de comentar, mas dessa vez não tem como. O texto está perfeito! É exatamente essa a sensação.
    Como professora (não tão experiente quanto você) eu amo o que faço e me sinto super recompensada quando tenho algum resultado positivo. Mas a realidade é bem dura e também não gostaria que meus filhos passassem pelos mesmos problemas que eu.
    É claro que toda e qualquer profissão tem seus altos e baixos e seus problemas, mas infelizmente o magistério no Brasil é uma das profissões mais ingratas… É uma vergonha, mas a realidade é essa.
    Porém ainda tenho esperança de um dia essa situação estar melhor que hoje, e quem sabe, se um dia Caio resolver ser professor, valha a pena?
    Beijos Dany

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