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Temas polêmicos da maternidade

Deixa eu contar uma coisa pra você que lê meu blog e não é mãe: existe a blogosfera materna. Ela é muito útil, tem muita gente inteligente e bacana escrevendo (meus blogs favoritos estão no blogroll), mas, como em todo lugar, rola briga. É uma mãe se achando “mais mãe” que a outra, cada uma querendo defender seu ponto de vista (isso às vezes acontece de forma agressiva) e há panelinhas. Acho bem normal ter panelinha. Na escola, tem. No trabalho, tem. Na faculdade, tem. Na blogosfera materna, tem também. Normal. Eu, distraída e lesada que sou, ainda não percebi “quem é de quem”. Não faço parte de nenhuma e “falo” com todo mundo. É claro que comento mais em alguns blogs que em outros por questão de afinidade (um beijo, Bial!). Não tomo partido de ninguém, mas não sou amiga de todo mundo. Acho, sim, que algumas pessoas exageram. O fato é que meu blog não é exatamente um blog materno. Apesar de escrever muito sobre minha vida de mãe, o blog não gira só em torno desse tema. E assim eu sigo comentando nos blogs amigos, dando minhas opiniões contidas e escrevendo posts bem pessoais. Evito dar minha opinião sobre alguns temas. Poréééééém, recebi um e-mail de uma leitora-mãe me perguntando por que eu não escrevo a minha opinião sobre aqueles tópicos “picantes” da maternidade. E, sim, aqui estou eu para dar minha opinião. Espero não ser linchada em praça pública. Vamos lá!
Parto
Caio nasceu em 2003. Na época, eu tinha 20 anos e pouca informação sobre o assunto. Eu queria porque queria ter parto normal. Apesar da pouca informação, eu sabia que era o melhor pra mim e pro bebê. Eu não entendia como algo que era pra ser natural pudesse se transformar numa cirurgia! Pra mim, era uma cirurgia desnecessária. Acontece que quando eu entrei em trabalho de parto (minha cesárea não foi marcada), olhei pro tamanho da minha barriga e pensei: “Puta merda! Não vai sair de parto normal nem aqui nem na China!” e morri de medo. Minha médica, que devia estar doida pra sair correndo pro consultório e embolsar mais alguns tostões, não me encorajou. Ao contrário, ela reforçou o fato de que eu só tinha 2 cm de dilatação e poderia demorar o dia inteiro pro bebê nascer. Pronto. Minha decisão foi tomada por falta de coragem, de apoio e informação. Se fosse HOJE, eu tentaria o parto normal com toda certeza. Não me culpo, não sou encucada com isso e não acho que a pessoa é menos mãe porque optou por uma cesárea. Acho que falta ainda informação e médicos que orientem as mulheres. 
Amamentação
Sou a favor da amamentação e fico um tantinho chateada quando vejo que algumas não amamentam por medo do peito cair, pro bebê ficar “com a barriguinha cheia” e dormir a noite toda ou coisas do tipo. Não condeno quem sofre no período da amamentação e para. Ninguém é de ferro. O início pode ser muito dolorido (o meu foi!) e eu acho que a mãe pode se desencorajar, sim. Novamente, acho que falta informação. A mídia passa uma imagem ilusória desse processo: uma mãe linda, escovada, maquiada e sorridente. Não é assim! Pode ser, mas nem sempre é. A verdade é que os seios podem rachar, sangrar, o leite pode empedrar e você sentir uma dor absurda. É preciso que alguém dê essa informação! Por mais baixo-astral que pareça, é preciso se preparar pra tudo, pra uma amamentação tranquila ou dolorida. E é preciso, acima de tudo, a mãe saber que esse período dolorido PASSA e, quando passar, ela vai ter a experiência mais incrível do mundo, que é alimentar o próprio filho com um leite saudável. E é a coisa mais linda do mundo ver seu filho mamando. Caio foi amamentado até 5 meses (pouco, né?), quando eu tive que voltar a trabalhar e ele acabou parando aos poucos. 
Creche
Como ser contra? Não sei. Não é toda mãe que tem alguém da família pra ajudar. Não é toda mãe que pode se dar o luxo de parar de trabalhar ou diminuir a carga horária. Não é toda mãe que pode ser mãe em tempo integral. Se eu acho creche uma boa ideia? Não. Lugar de criança até 2 anos idade, pra mim, é ao lado da mãe. É claro que uma coisa é eu achar e outra é a realidade do mundo. As pessoas que trabalham na creche (generalizando, tá?) geralmente são despreparadas, ganham mal (e, sim, isso importa!) e não têm a menor noção do que é cuidar de um bebê. Outra coisa que me ocorre: se eu, MÃE, às vezes perdia a paciência com o choro do meu filho, imagine os outros que não têm nenhum laço afetivo?!? Acho que até 2 anos a criança não precisa socializar com outras pessoas. Ela precisa conhecer bem as pessoas da família. 
Babá
Pelos mesmos motivos pelos quais eu não colocaria na creche, eu não deixaria meu filho com uma babá. Mas, é aquilo, eu tenho a minha mãe pra me ajudar. Então, na minha posição de alguém que pode contar a avó, é bem confortável ser contra babás. (Contra babás pegou meio mal, né?) Não consegui colocar de outra forma. Acho extremamente difícil achar alguém de confiança. Se eu julgo a mãe que está passeando no shopping com a babá de branco empurrando o carrinho do filho? Serei hipócrita se disser que não. Julgo, sim. A verdade é que todo mundo julga tudo o tempo todo. Então, não me venha dizer que você não julga… O que eu não faço é apontar o dedo na cara dessa mãe e dizer: olha, o filho é seu, tá? Toma conta! Isso eu não faço porque o problema é dela (e do filho, coitado), a decisão é dela e eu não tenho nada com isso. Mas, julgo. Acho feio e deprimente a babá empurrar o carrinho ou brincar com a criança enquanto a mãe fala ao celular. 

Cama compartilhada
Quando Caio nasceu, ele dormia na minha cama. Eu ficava lá olhando o pequeno a noite toda com medo de que ele pudesse engasgar, se sufocar com as cobertas, enfim… Coisa de mãe! Acho que tudo bem compartilhar a cama. Não vejo grandes problemas. É claro que quando o bebê cresce, fica mais difícil dormir confortavelmente, mas quando é um bebezico, não vejo problema. Na verdade, acho que facilita. Amamentar a noite toda (Caio mamava praticamente de uma em uma hora) e correr até o quarto do bebê madrugada afora exige preparo físico, que eu nunca tive. Alguns argumentam que pode prejudicar a vida sexual do casal. Olha, sinceramente, tem algo errado. Vocês só fazem séquiçu na cama e no quarto? Eu, hein! Brincadeiras a parte, eu não vejo a cama compartilhada como uma vilã. 
Hora de dormir
Tem um método que diz basicamente o seguinte: deixe o bebê chorar até ele dormir. Um dia, ele se acostuma e aprende a dormir sozinho. Vou dizer uma coisa: acho maldade, hein. Entre o bebê começar a chorar e dormir, rola muito sofrimento. O bebê sofre e os pais sofrem. Não consigo me imaginar ouvindo meu filho chorar desesperadamente e não fazer nada. Eu choraria junto. Sou contra esses métodos que fazem todo mundo sofrer. Pra mim, ninar, botar na cama, no berço, ficar do ladinho, isso tudo faz parte da maternidade/paternidade. Se cansa? Muito! Mas faz parte.
“Coleira” para crianças
Não gosto, gente. Só de olhar, me causa estranheza. Eu acho que é preciso ensinar, orientar que não pode ir até ali, não pode botar a mão aqui. Dá trabalho ensinar mil vezes a mesma coisa, mas esse é o trabalho dos pais. Alguns argumentam que a “coleira” é uma mão na roda em lugares lotados. O que eu penso sobre isso? Não vá a lugares lotados. Simples. A maternidade exige um certo grau de maturidade que te faça enxergar que muitas vezes você vai precisar abrir mão de algumas coisas. Por exemplo, shopping com criança perto do Natal, é bom evitar. Eu evito até sozinha e ao longo do ano inteiro. Tem uma coisa que muita gente não entende: ser mãe é mudar de vida, é abrir mão de algumas coisas, não dá pra continuar a mesma. Ninguém vai morrer se deixar de frequentar, pelo menos por um tempo, lugares lotados. Enfim, acho bem estranha essa coleira. 
Bom, gente, é isso. Não me queimem na fogueira.

Comentários

comments

15 comments
  1. Micha Descontrolada

    Eu hein!!! q bizarro a pessoa mandar um email cobrando opinião…aff!!!

    por isso não curto blog monotematico, pq vejo q rola maior fogueira das vaidades de sou melhor mãe, sou mais entendedora de esmaltes, sou mais maquiadora, eu viajo mais, eu compro mais…enfim. um saco total.

    A verdade é q as pessoas andam intolerantes, de um modo geral, acho q por conta da correria do dia a dia e tb mto competitivas, querem ser a melhor em tdo, o q acho horrível. Eu não quero ser melhor em nada, eu só quero ser feliz!!!

    E viver a minha vida, sem ng se meter nela, pq isso eu não admito.

    Achei suas colocações super pertinentes, concordo com todas. A da coleira q não sei, acho q não usaria, mas acho melhor o filho tá na coleira pq a mãe se preocupa mto com ele, do q está com a babá empurrando o carrinho pq a mãe caga e anda pra ele. sei lá!!!

    bjssssss

  2. Karen

    Legal você ter sim postado sua opinião sobre tantos temas importantes.
    Acho que isso é o que me faz escrever, sabe? Ter um espaço para dizer o que EU quero, com meus argumentos e ler a opinião de outras pessoas, com seus próprios argumentos.
    Acho que expor a opinião com lógica, respeito e coerência é tudo de bom. E se alguém discordar, também tudo bem, pois acho que é justamente a troca de ideias (ideias, não ofensas!) que torna a blogosfera materna algo tão proveitoso para tantas mães!

  3. Viviane Pereira

    Oi Dany! Não poderia concordar mais com seu post.
    Eu tb procuro não me meter nestes temas polêmicos, tem coisa que não acho que tenho que ter opinião sobre, e fim!
    Adorei o arremate do post: "Tem uma coisa que muita gente não entende: ser mãe é mudar de vida, é abrir mão de algumas coisas, não dá pra continuar a mesma."
    Verdade, verdadeira!!

  4. Neanderthal

    Oi Dany, vim aqui retribuir sua visita ao meu blog. =)
    Então, estou vendo aqui que você é professora e mora em Niterói. Dá aulas de quê?
    Eu sou da Ilha do Governador! =)
    Então, sobre o uso da coleira, eu nao tenho filhos e por isso não sei como seria a experiência, mas eu não vejo nada de errado no seu uso. Quando preciso tomar conta dos meus sobrinhos, tem momentos que preciso ler ou escrever algo e ao mesmo tempo tenho que ficar atenta a eles. Fico imaginando que com uma coleira dessas a criança teria liberdade, mas não poderia ir muito longe de mim.
    Só acho que dar o nome de coleira fica parecendo que é coisa para cachorro. Não queremos que nossos sejam igualados a um né. Não tem outro nome melhor?

  5. Vivi * Isaac

    Ótimo post… Ainda não conheci o lado mal da blogosfera, pelo menos por enquanto… Eu também concordo com muitas circunstâncias… Acho que ser mãe é querer o melhor para o seu filho sempre… Amei conhecer seu cantinho. Bjs
    Vivi e Isaac

  6. Myna Obara

    Ótimo post! Apesar de não ter uma opinião formada sobre alguns assuntos (como o da "mochila/coleira"), achei muito bom o jeito como você colocou o seu ponto de vista, dando a sua opinião sem tacar pedra em outras mães – o que, de fato, vejo muito por aí.
    Acho que as mães tinham que se unir, compartilhar experiências, ajudar umas às outras ao invés de ficar nessa briga besta de "quem é a melhor mãe". Acho feio e infantil. Parabéns pelo texto e por falar abertamente dessa "competição" que algumas mães insistem em fazer.

  7. Mãe ComCiência

    Menina, tenho lido que rola briga entre as mães nos blogs. É sério isso?? Eu escrevo o que eu quiser no meu e leia quem quiser, frequento alguns que acho legais, mas sinceramente ainda não me dei conta desses tititis.

    Mas o seu post foi demais, gosto muito da maneira "falo mesmo e daí" que você escreve, é seu espaço, seu direito e se compartilha é para ser apoiada, discordada, mas o que não pode faltar é educação, não é mesmo? Não gosto de gente extremista que abomida a opinião alheia por ser diferente, tem muita gente assim mesmo e uma pena que isso aconteça também na blogosfera materna.

    Saiba que lá no blog será sempre bem vinda.

    Beijos!

  8. Line Sena

    Oi, Dany.

    Não acredito que a pessoa tem um blog e recusa seu comentário/opinião sobre o que escreve. Absurdo!

    Bom, concordo com tudo que vc disse. Sobre a creche eu também acho que não é o ideal que crianças até 2 anos fiquem longe dos pais, e é por isso que decidi não voltar ao trabalho depois da minha licença maternidade. Eu trabalhava numa creche, e o que deu um empurrãozinho nessa decisão você também falou no post. O salário tão baixo que não compensava voltar pra receber pouco e ficar longe do filho. Mas, por ter trabalhado em creche posso te falar sobre esse pensamento de "nem eu tenho paciencia com meu filho, como um estranho vai ter?". Confesso que tinha mais paciência com as cças da creche do que hj com o meu filho. Acho que o problema é que não temos paciência com nossos filhos principalmente quando estamos ocupados com outros afazeres e eles querem atenção, mas na creche eu não tinha "outros afazeres", as cças ja têm 100% da atenção e por isso é difícil perder a paciência com elas.
    É isso…

    Bjks!

  9. Line Sena

    Oi, Dany.

    Não acredito que a pessoa tem um blog e recusa seu comentário/opinião sobre o que escreve. Absurdo!

    Bom, concordo com tudo que vc disse. Sobre a creche eu também acho que não é o ideal que crianças até 2 anos fiquem longe dos pais, e é por isso que decidi não voltar ao trabalho depois da minha licença maternidade. Eu trabalhava numa creche, e o que deu um empurrãozinho nessa decisão você também falou no post. O salário tão baixo que não compensava voltar pra receber pouco e ficar longe do filho. Mas, por ter trabalhado em creche posso te falar sobre esse pensamento de "nem eu tenho paciencia com meu filho, como um estranho vai ter?". Confesso que tinha mais paciência com as cças da creche do que hj com o meu filho. Acho que o problema é que não temos paciência com nossos filhos principalmente quando estamos ocupados com outros afazeres e eles querem atenção, mas na creche eu não tinha "outros afazeres", as cças ja têm 100% da atenção e por isso é difícil perder a paciência com elas.
    É isso…

    Bjks!

  10. Tatiane Rosa Domingues

    ops, acho que sou muito light, porque ainda não percebi essas panelinhas e nem as brigas. Será que sou super desantenada? Amei suas opiniões, o máximo. Também acho legal escrever isso tudo para depois ver como pensávamos há um tempo atrás, ai, tudo muda, não é mesmo? Beijos de uma blogueira super da paz!

  11. dany

    Tati, entendo seu medo de perder aquela coisa fofa! Não é pra menos. Acho que as pessoas podem e devem discordar, sim. É até bom, acrescenta e enriquece. Faz a gente pensar. Acho que tem que ser, como vc fez, com educação. Se assim for, ótimo!

    E vc é minha sis, sim! Minha sis de Sampa! hehehe

  12. Tatiane Garcia

    Dany…
    Suas opiniões são muito coerentes. Mas posso te contar? (preparem as pedras)…Pedro usa a "coleira"…hahaha…que eu prefiro chamar de "mochila"…sabe, eu fico muito sozinha com ele, e agora que o menino anda, tenho pavor dele sumir…então em lugares cheios (tipo o shopping..rs..) eu faço uso sim! A reação das pessoas é um misto de "olha que gracinha" com estranhamento e nojo total! Eu nem ligo! Rá!!!! E não vou deixar de ser sua sis pq diferimos na questão da coleira! Ráááááá!!!!!
    Sabe, eu meio que desisti da blogosfera, seja materna ou não…vou nos blogs amigos e tal…mas perdi o T!!! Eu cansei das panelinhas, dos comentários absurdos, da gente perfeita menosprezando os demais…enfim. Só não sei se o problema é a blogosfera ou eu!!!! rsrs!!!!
    E que comentário enorme esse…..

  13. dany

    É, Ju. Na verdade, eu fiz um comentário sobre um desses temas num outro blog materno e uma pessoa que se sentiu ofendida me mandou e-mail me perguntando por que eu não dou a minha opinião no meu blog. Tá aí. =D

  14. Julay Ferrer

    Ahhhh, te mandaram um email cobrando seus comentários e nem comentaram sobre o seu post??? Não creioooo.

    Amei seu post, mas o que mais me deixou "intrigada" foi o fato de terem te mandado um email. Hahahah

    E na minha opinião, tudo que envolve mais de uma mulher, da confusão, mais dia ou menos dia. Hahahaha

    Beijocas

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