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A criança terceirizada – Parte II

Primeiro eu me perguntei por que eu trabalhava tanto e não tinha tempo para o meu filho. Mil respostas surgiram: para ajudar a pagar as contas, para comprar minhas coisas sem ter que pedir ao marido, para comprar roupinhas caras pra Caio (ó o consumismo!) e por aí vai. Mas eu cheguei à resposta que era realmente a que importava – eu trabalhava enlouquecidamente para cumprir um papel social. Afinal de contas, uma mulher da minha idade, com uma profissão definida, que não trabalha fora – ou trabalha pouco – é quase crucificada nesse mundo moderno, não é mesmo? E aí eu começava a trabalhar às 7:15 da matina, passava em casa pra almoçar e arrumar Caio pra escola, voltava pro trabalho às 14h e desacelerava às 22h, horário que acabava a aula na faculdade. Não era uma loucura?!? Só resolvi parar um pouco quando, no meio do dia, eu chorava porque não tinha ficado tempo suficiente com meu filho. Como doía! Foi aí que eu resolvi mudar as coisas e priorizar a minha família. Eu vi que se eu deixasse de comprar roupa cara e cortasse gastos completamente desnecessários, eu poderia trabalhar menos, sim. Felizmente minha situação não é a de escolher entre trabalhar fora ou passar fome, mas escolher entre uma vida consumista ou uma vida mais simples. Escolhi uma vida mais simples que me faz muito mais feliz. Também não estou aqui para julgar ninguém. Cada um escolhe o que é melhor pra si. O livro também não julga, mas alerta e propõe uma reflexão: “Por que será que as pessoas acham vergonhoso ser feliz em sua família e cuidar bem de seus rebentos?”. O pior é que é bem verdade que a sociedade julga horrivelmente a mulher que decide abrir mão do seu emprego, que nem sempre a faz feliz, pela sua família. Uma lástima.

20 comments
  1. Mari

    admiro, você, e qualquer pessoa que tenha coragem de viver seguindo os próprios preceitos. Ser mãe, e não trabalhar realmente não é bem visto, assim como não ter o telefone da moda e outras coisas que na realidade não trazem felicidade. Saber o que te faz feliz e enfrentar os padrões da sociedade para alcançar isto é sim algo admirável. Mas, como já dito acima, o conceito "tercerizar" tb não esta falando que não se pode trabalhar e ainda ser participativa na vida da criança. Minha mãe sempre trabalhou e minha memória é repleta de maravilhosas lembranças dela, inclusive me levando na piscina e praia, que hoje sei que ela tem pânico. Entenda, isso é apenas um comentário, pq pra mim no seu post fica bem claro, que a sua decisão é a sua decisão e não uma crítica à quem faz diferente, mas ainda continua sendo mãe. Parabéns.

  2. Rose Misceno

    Nossa…se eu tivesse lido seu post o ano passado acho que teria cortado os pulsos!!! Chorava muito por me sentir culpada, sendo professora na parte da manhã e da tarde e ainda estudar (UFF, tbm) até às 22 horas. Esse ano decidi trabalhar só na parte da manhã, horário que minha filha de 2 anos estuda, para cuidar dela, sempre meu maior desejo! A grana tá curta, isso é verdade, mas meu coração transborda de alegria, diariamente.

  3. Andreia Vieira

    Já conhecia esse livro, o tema que ele aborda mas ainda não tive o prazer de ler… mas concordo plenamente com o teu post… quando eu morava em Jacarepaguá e andava muito no Barrashopping ficava chocada em ver babás que entendiam mais dos filhos das patroas do que as mesmas… a mãe ao lado, mas a babá que dava papia, etc e tals… e isso num final de semana… ficava observando aquilo e meio chocada…

  4. dany

    Meninas, obrigada pelo apoio! Na verdade, nem fiquei tão chateada, não. A pessoa não tem a menor noção de como funciona a minha vida. Mal sabe ela que eu nunca peço $ ao meu marido pq tenho vergonha (#prontofalei). Trabalho pouco atualmente pq abdiquei de muitas coisas, como roupa cara, Natura, enfim… Fui tentando cortar supérfluos pra conseguir trabalhar menos. E não sofro pelos cortes que tive que fazer. Pelo contrário, tô muito feliz nessa minha situação.

  5. Bia Mello

    Concordo contigo, Ivana (e botando mais lenha na fogueira…)
    O conceito da "terceirizacao" abordado aqui vai além de "ficar em casa tomando conta do filho". Até porque conheço mães que não trabalham fora mas nao priorizam o seu tempo com os filhos, o que dá na mesma. E quando se tem a oportunidade (mesmo que pra isso tenha que se sacrificar uma serie de coisas) de dedicar mais tempo ao filho, sendo rica ou pobre, isso é o que realmente vale.

    So nao entendo porque algumas pessoas que tem uma posicao critica costumam nao se identificar…anonimos nao merecem muito respeito na minha opniao, ne nao?

  6. Ivana Millán

    Respondendo à bobinha anônima – e inaugurando 'os barraco' no Quartinho – amore, um monte de gente trabalha, cuida de três filhos na maior dificuldade e NÃO terceiriza os filhos. Vamos entender o conceito apresentado, fufura!!!

  7. Vanessa

    Olá,

    Muito corajosa mesmo a sua postagem. É, sem dúvida, um tema espinhoso e bastante polêmico. As próprias mulheres são carrascas das outras. Deixar de trabalhar, pra mim, ainda é uma escolha inpensável. Ainda estou grávida do primeiro filho. Não sei se minha decisão vai mudar. Sinceramente, ainda acho importante a minha carreira, pela qual batalho desde que me entendo por gente. Não quero largar tudo, criar o filho, e depois jogar toda minha carência e frustração em cima dele. Vejo muito isso. Mães que com o discurso de "ser mãe é abrir mão de tudo", "jantar fora pra que?", "abri mão de certas vaidades", depois dos filhos crescidos e independentes, não sabem ser outra coisa senão ser mãe. Daí despejam toda frustração no filho, como se ele tivesse obrigação de devolver toda a dedicação e os anos perdidos.

    POr outro lado, seu post me fez refletir. Talvez não abrir mão de tudo. Mas um ritmo menor, aproveitar mesmo essa fase que não volta mais.
    Parabéns pelo blog

  8. Ioly a dona do verdades...

    Sei o que está falando, vivo isto também. Pedi licença do trabalho qdo a Mi nasceu, e ainda desta forma aqui estou.
    A pequena completará 3 aninhos e eu estou me preparando para voltar para o trabalho extra lar. Mas confesso que meu coração está apertado ao pensar em vans sem cadeirinhas, com motoristas correndo com o carro cheio de crianças e o nosso tempo juntas reduzido.
    Sem renda abri mão de algumas vaidades, que me custaram a admiração do marido (embora o meu afastamento tenha sido algo que decidimos juntos) e algumas críticas maldosas…
    Mas posso olhar para minha filha e dizer que estive ao seu lado, nesse período tão delicado que é os primeiros anos de vida.
    bju no coração

  9. Chris Ferreira

    Oi Dany,
    ótimo esse post. Vivo dizendo que, atualmente, nós mulheres, ficamos praticamente sem opção. Ou a gente trabalha fora ou é imensamente bombardeada. E ainda mais, os homens já não sabem mais lidar bem com mulheres que trabalham em casa com amor e dedicação à família.

    Fizemos um outro passeio aqui pelo Rio e coloquei lá no blog. Depois, se tiver um tempo, passa por lá tá?
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

  10. Chris Ferreira

    Oi Dany,
    ótimo esse post. Vivo dizendo que, atualmente, nós mulheres, ficamos praticamente sem opção. Ou a gente trabalha fora ou é imensamente bombardeada. E ainda mais, os homens já não sabem mais lidar bem com mulheres que trabalham em casa com amor e dedicação à família.

    Fizemos um outro passeio aqui pelo Rio e coloquei lá no blog. Depois, se tiver um tempo, passa por lá tá?
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

  11. Lulu on the sky

    Olha Dany, o fato de vc priorizar seu filho é mais importante que qualquer dinheiro. Criança cresce rápido e depois vc iria ficar culpada não é mesmo?
    Qdo ele estiver melhor, ai sim, vc pode voltar a trabalhar mais.
    Big Beijos

  12. Karine

    É um ponto bem crucial, né, Dany?! Nem todas têm a sorte como a sua de poder escolher como viver. Há algumas mulheres que têm que trabalhar para poder respirar no final do mês e ajudar no orçamento do marido. Mas, ainda assim, apoio a sua opção e acho que você faz muito bem! Enfim, cada caso é um caso, né?
    Beijos.

  13. Tatiane Garcia

    Ai Dany…eu tou vivendo essa análise!! Estou em guerra interna sobre o que fazer daqui a alguns meses, qdo meu filhote estiver nos meus braços….no trabalho que exerço hj não há como trabalhar menos…ou td ou nada…são tantas questões…fora a própria ameaça de não ter o emprego qdo voltar da licença…pq o risco sempre existe né…enfim…mto boa a reflexão!!!
    bjobjo

  14. Kira!

    Eu sou chata e sempre bato nessa mesma tecla. Eu optei por ficar em casa com a Beatriz até no mínimo os 2anos de idade.
    Primeiramente porque acho super importante esses primeiros anos estar junto com a mãe, acho que a escola não é algo que nossa super melhora o desenvolvimento da criança, acontece que na escola as pessoas estimulam seu filho, e por conta disso ocorre esse "super desenvolvimento", nada que, com estudo você também não consiga fazer isso.
    Aqui cortamos muitas coisas para que, sem eu trabalhar, conseguissemos sobreviver só com o salário do marido, e do meu pai que mora conosco. Não temos tv a cabo, raramente comemos fora ou pedimos comida, compra do mês é sempre bem enxuta, não temos celular de conta, e essas pequenas mudanças que valem a diferença.
    E eu paro para pensar, pra que eu trabalharia agora?Sem uma formação?Só por trabalhar?Só porque "minha filha já ta grande e é feio eu ficar em casa" ? Me matar em um trabalho que não é minha area, ficar sem ver minha filha o dia todo, para ganhar 700 reais em um shopping, não faz parte dos meus planos!
    Também sou contra quem deixa de trabalhar fora para "ficar com os filhos" mas na verdade, deixa o filho jogado, não sai com a criança, não passeia, dai é melhor colocar em uma creche mesmo!
    Mas sabe, quando me perguntam se ano que vem com a Bia na escola eu vou trabalhar, e eu respondo que não, as pessoas fazem aquela cara de " nossa, que folgada", mas eu quero estudar, fazer minha faculdade, e trabalhar com algo que eu realmente gosto!
    Óbvio que tem gente que tem de trabalhar ou passa fome, ok. Mas, sou totalmente contra quem trabalha só para manter um padrão de vida sabe?Sair para comer fora tod fim de semana, comprar aquele celular foda, viagens. Gente, maternidade é abrir mão de algumas coisas, nem que seja por um tempo saca?

    comentei uma biblía, foi mal ae!

    Beijos
    http://perdendo20.blogspot.com
    http;//parabeatriz.blogspot.com

  15. Bia Mello

    Dany,
    Seu post veio a calhar, pois as vezes me pego pensando nessa situacao que optei por viver e entro num dilema: Sim, a sociedade recrimina muito a mae que deixa a sua profissao de lado (mesmo que por um periodo) para cuidar de um filho.
    Sou arquiteta e sempre, sempre trabalhei demais! Muitas horas por dia, finais de semana, feriados, etc. Quando viemos pra ca o ritmo mudou um pouco e quando engravidei decidimos (marido e eu) que eu sairia do trabalho e cuidaria do pequeno ate que ele fosse pra escola (por volta dos 3 anos, que é o normal daqui). Sinto-me muito feliz e realizada no papel de mae-dona de casa- educadora -faz tudo no lar, porém vez ou outra me sinto pressionada a respeito de quando voltarei ao mercado de trabalho…
    Adorei saber do livro, vou compra-lo assim que chegarmos ai! 🙂
    Bjs, otimo post!

  16. Ivana Millán

    Por estas e outras que eu adoro a minha profissão. Sempre pensei em não precisar estar afastada de casa, criar os filhos por mim mesma (não digo que não precisarei de ajuda, isso sim!), cuidar da casa, estar com o marido. Desculpa, mundo, mas esta escolha não me diminui em nada!

    🙂 adorei o post, Dany!
    Beijocas!

  17. Paloma, a mãe

    Este livro nos faz repensar nossos valores, é incrível. Eu me achava super resolvida, até ver que não, ele pisou no meu calo. E como foi bom! Eu também optei por uma vida mais simples, por ser feliz em família, por trabalhar menos e num ritmo mais leve.
    Esta coisa do papel social é fogfo, porque quem mais julga as mães que dão um tempo na carreira são as próprias mulheres e outras mães. É uma competição absurda para ver quem dá conta de mais coisas ao mesmo tempo, enquanto o dia-a-dia com os filhos se resume a 30 minutos em frente à TV.
    E eu não tenho medo do que estas crianças se tornarão no futuro, não, já dá para ver como são carentes, sem limite e inseguras agora, no presente mesmo.
    Isso é um problema social, não é apenas um problema meu, seu e da Mariazinha.
    Quando eu li o livro e entrevistei o autor, fiquei doida para colocar no blog, mas não o fiz porque este assunto ainda não estava tão bem resolvido dentro de mim e tambpem porque, confesso, fiquei com medo de ser atacada por outras mães.
    Beijos e obrigada por colocar este assunto em discussão aqui

  18. katia Ruivo

    Amiga, perfeito esse seu comentário. A sociedade, a família, todo mundo critica a mulher que tem profissão e fica em casa, principalmente se ela tem alguém pra ajudar nos afazeres domésticos, aí mesmo que o povo caí em cima, chamam de preguiçosa, comodista, etc…mas já passei da fase de ligar pra isso, to curtindo meu momento agora, acordo tarde todo dia com Mimi, ajudo no dever de casa, boto pra escola com calma e ainda tenho meu precioso tempo sozinha a tarde, não fosse a saudade de todos, a minha vida estaria perfeita! Luv u!!

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