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Dia dos Pais – 1ª parte

Ontem foi Dia dos Pais e, como alguns de vocês já sabem, o meu se foi quando eu ainda era criança. Nessa data, especificamente, eu me sinto muito mais “triste” pela falta do meu pai. Triste nem é bem a palavra porque eu já superei isso – eu acho…rs.
Deveria ser um dia como outro qualquer, mas não dá para ser. Comerciais, outdoors e comemorações não nos deixam esquecer que é Dia dos Pais. E essa data me remete à um passado muito feliz e me faz lembrar de alguém que eu gostaria que estivesse ao meu lado hoje.
Quando minha mãe ficou grávida, meu pai queria uma menina. Estranhei isso quando minha mãe me contou porque geralmente o pai quer menino, mas a explicação dele era a seguinte: ele queria uma menina para ficar ao lado da minha mãe já que ele sabia que morreria cedo. Ele tinha problemas de coração desde novinho. E aí eu nasci! Para a felicidade dele, uma menina!
Estava claro que ele me amava mais que tudo nessa vida: os cuidados comigo, a paparicação, o carinho, a presença sempre marcante na minha vida…
Lembro-me de quando eu tinha dever de casa, especialmente de matemática (nunca foi o meu forte), meu pai que me ajudava, me explicava…
Quando eu tinha que fazer desenhos ou maquetes para a escola, ele também estava lá. Ele era o meu personal desenhista. 🙂
Ah! E o orgulho estampado em seu rosto quando me apresentava para os amigos dele! Essa é minha filha! E fazia questão de dizer que eu era flamenguista, claro. E ai de mim se não fosse! rs
Ele escolhia uns dias especiais para me levar para o trabalho dele. Não sei até hoje qual era o critério que ele usava para escolher o dia. Mas era um dia de grande felicidade para mim!
Eu faltava aula. Acordava cedo, junto com ele. Minha mãe me arrumava e lá íamos nós dois para o trabalho do meu pai. No centro do Rio. Eu adorava. Não íamos de carro, íamos de barca. Chegando lá, ele me levava a todos os setores da empresa pra me mostrar pra todo mundo. Eu me sentia muito importante, claro. Afinal, eu era filha de Jorginho – o cara mais popular da empresa. No almoço, ele me deixava escolher a sobremesa que eu quisesse. Depois disso, passávamos na banca de jornal onde ele comprava gibis e figurinhas pra mim.
Como eu sempre tive medo de escuro, meu pai ficava no meu quarto até eu dormir, segurando a minha mão. Eu tinha medo de fantasma, espíritos, essas coisas… E eu lembro vagamente dele me contando umas coisas do tipo: Todo mundo morre. Um dia papai também vai morrer e vai virar pó, você não precisa ter medo de gente morta. Talvez ele já estivesse me preparando para a sua partida. Não sei.
Quando em dezembro de 1993 ele se foi, eu me senti tão pequena, tão indefesa. Os dias passaram e a gente ia se acostumando com a idéia da sua ausência, mas às vezes eu tinha a impressão de que ele ia aparecer e me dizer que era tudo mentira, que ele não tinha morrido coisa nenhuma e que cuidaria de mim e da minha mãe pra sempre.
Mas eu estava crescendo e percebendo que nada é pra sempre, a não ser as lembranças e a saudade.
Eu fico imaginando como meu pai seria orgulhoso de mim se estivesse aqui hoje. Como ele iria adorar ter um neto menino, brincar, jogar bola, soltar cafifa. Tenho certeza de que ele não deixaria de curtir um momento sequer ao lado de Caio.
Talvez ele quisesse aproveitar a vida ao nosso lado porque sabia que seria por pouco tempo. Talvez por isso ele tenha vivido cada momento de forma intensa e verdadeira. Hoje eu posso dizer que ele foi o melhor pai do mundo: dedicado, brincalhão, carinhoso e presente.
Posso dizer também que nós dois vivemos tudo que deveríamos ter vivido, não faltou nada: não faltou atenção, não faltou cumplicidade, amizade, carinho, amor, o abraço e o beijo nas horas certas. Foi tudo perfeito ao lado do meu pai.

Comentários

comments

8 comments
  1. Fabiane Chianca

    Ahh Dany que post lindo, lindo, lindo!!
    Tou emocionada, e ver o quanto seu pai foi importante para vc!!!
    E tenho certeza que ele está olhando para vc e sua familia linda e está super orgulhoso de você!!
    Bjusssssss

  2. Casamento feliz

    Que post lindo , emocionante e escrito com o coração

    Com certeza seu pai teria orgulho de vc e isso é motivo para vc se sentir muito bem , ele cumpriu o papel dele aqui na terra , te deixou um legado de ser uma pessoa super do bem

    Beijos Danny

  3. Re

    Dany, que homenagem linda ao seu pai. Tenho certeza que ele sempre está presente em todos os dias, olhando vc, e brincando em sonhos com o Caio. Bjs,

  4. Kátia Ruivo

    Lindo seu post, amiga, me identifico mto com ele pq tb perdi meu pai há mto tempo, eu estava iniciando a adolescência e sinto mto a falta dele. Também fui a primeira filha e única do casamento dele com minha mãe, depois q veio a minha irmã do segundo casamento. Sei que ele queria ter um menino tb, então tb penso que ele ficaria mto, mto feliz em conhecer meu filho, os dois é claro. Mas sei que ele está por aqui, a nossa volta, olhando por nós e mto orgulhoso, é claro, sempre.

    beijos, amiga.

  5. Karine

    Ai, Dany… Que história bonita! Emocionante mesmo! Duvido que seu pai não esteja te vigilando como o fazia antes… agora, em dobro, com o seu pequeno!

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